sexta-feira, janeiro 16, 2009

O caos e a beleza


por: Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.

QUANDO EU ERA seminarista gostava de dormir ouvindo música. Eu tinha um radinho de válvulas e a música vinha sempre misturada com os ruídos da estática. Eu preferia a música às rezas. Se eu fosse Deus, eu também preferiria.

Na verdade eu já não rezava mais por duas razões. Primeiro, as aulas de teologia, pela mediocridade, me fizeram pensar -e o pensamento é um perigoso adversário das ideias religiosas. Eu nem sabia se ainda acreditava em Deus. Segundo, se Deus existia, valia o dito pelo salmista e por Jesus de que, antes que eu falasse qualquer coisa, Deus já sabia o que eu iria falar; o que tornava desnecessária a minha fala. Eu estava mais interessado em ouvir a divina beleza da música que em repetir as minhas mesmices que deveriam dar um tédio infinito ao Criador.

Se Deus existe, a beleza é o seu jeito de se comunicar com os mortais. Disso sabem os poetas, como é o caso da Helena Kolody, que escreveu: "Rezam meus olhos quando contemplo a beleza. A beleza é a sombra de Deus no mundo". Ela poderia ter sido uma amiga da solitária Emily Dickinson, que sentia igual. "Alguns guardam o domingo indo à igreja / Eu o guardo ficando em casa / Tendo um sabiá como cantor / E um pomar por santuário / E, ao invés do repicar dos sinos na igreja / Nosso pássaro canta na palmeira / É Deus que está pregando, pregador admirável / E o seu sermão é sempre curto. Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final eu o encontro o tempo todo no quintal." Às vezes, Deus se revela como pássaro...

Deitei-me e liguei o radinho. Era uma noite de mau tempo, tempestade. O ar estava carregado de eletricidade -que entrava no rádio sob a forma de ruídos, estática, assobios. Era um caos sem sentido. Mas não perdi a esperança e continuei a procurar. De repente -a estática dominava a audição- ouvi lá no fundo uma música que muito amo: o concerto para piano e orquestra n.º 1, de Chopin. Fiquei ali lutando contra a estática: 90% de ruído caótico, 10% de beleza.

Eu não entendo esse mistério: todos os sons, estática e música chegavam juntos, misturados. Mas a minha alma, sem que tivesse sido ensinada, sabia distinguir muito bem o ruído caótico e sem sentido dos sons da beleza, que me comoviam. Minha alma sabia que a ordem morava no meio do caos e ela estava disposta a suportar o horrendo do caos pela beleza quase inaudível que existia no meio dele.

Aí me veio uma ideia sob a forma de uma pergunta que me pareceu uma revelação: a vida toda não será assim, uma luta contra o caos sem sentido em busca de uma beleza escondida? E essa busca da beleza, não será ela a essência daquilo a que se poderia dar o nome de "sentimento religioso?"

"Sentimento religioso", como eu o entendo, nada tem a ver com ideias sobre o outro mundo. E algo parecido com a experiência que se tem ao ouvir a "valsinha" do Chico, ou a primeira balada de Chopin.

Uma sonata de Mozart... Um crítico musical poderia escrever um livro inteiro analisando e descrevendo a sonata. Mas, ao final da leitura do livro, o leitor continuaria sem nada saber sobre a sua beleza. A beleza está além das palavras, exceto quando as palavras se transformam em música, como na poesia.

Ficou aquela imagem. Uma melodia linda se faz ouvir em meio aos horrores da vida. Ainda que seja uma "marcha fúnebre"...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Esperança esta na fé!


“em esperança, creu contra a esperança”

Parece redundante falar dessa forma (eu gosto de redundâncias), quem tem fé tem esperança e quem tem esperança tem que ter fé. A fé aqui neste caso, também pode parecer algo que é a parte, como se tivesse vida própria, uma entidade e suas características.
Mas a lógica e razão da questão é em quem temos confiado, se confiamos de fato. Confiamos mesmo de fato na lógica e na razão e neste universo ninguém quer perde-la. Lembrando kierkegaard, para ter fé é preciso abrir mão da tão sagrada razão, é “saltar no escuro”, só assim encontramos significado existencial, tendo cada um sua experiência, levado a experiência com Deus.
Estamos sofrendo de forte ansiedade nos dias atuais, nossa ansiedade faz parte dessa lógica e do racionalismo que o próprio pensador ajudou a matar. E eu que sou um simples aprendiz poderia rechear esse texto de argumentos lógicos para poder aumentar minha e a sua fé, pois precisamos mesmo acreditar. Porém mais do que nunca precisamos mesmo acreditar não no possível, mas no impossível, o possível cabe a cada um de nós fazer, estudar mesmo e muito. Boas ação são sempre boas, principalmente para o próximo. Então o que você quer? Um porque?
Sei que nosso terrível inimigo é o medo! Ele pode ser forte e nos escravizar, gerar um pânico com medo de falharmos, pelo preceder na própria lógica algo matemático que venha a acontecer. Vivemos um futuro inconstante, desesperança. Não sabemos esperar, esperar nos sofrer muito. Fazemos a previsão conforme nos é apresentado principalmente pela falta.
Vivemos o mundo da falta e o medo de viver sem ter, nos falta muitas coisas não podemos esperar muito por que pela lógica somos sempre pobres, sempre sem aquilo que pode nos fazer ser. A falta é incomodo e tira a experiência do agora, agora não da pra estar satisfeito com nada, o nada é essa angustia de que ainda não foi preenchido esse vazio provocado pelo que não tenho ou não posso. Crer no que sou, sou infeliz quando penso em crer em mim, melhor descrer e ficar esperando que fazendo algo “maravilhoso” diga-se de passagem individualista e consumista serei o que representa ser hoje a lógica de um mundo que se mata.
Sem ilusões, você já pensou em ser feliz sendo assim, em meio a essa tragédia a fé pode levá-lo depois da lógica, principalmente a de hoje. É mesmo difícil enfrentar nossos medos e a realidade fria como essa. A fé realmente é um absurdo! Como um pai pode matar o próprio filho (Abrão e Isac)? A fé se torna seu conhecimento de quem Deus é, é amor. Mas quem pode esperar por esse amor preso pela lógica descartável, imediatista e pluralista? O tudo, a realidade do Eu Sou como é agora e sempre foi. Seus pensamentos são sempre mais altos que os nossos!

"O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência." (Romanos 4 : 18)

O convite é ter uma atitude como do pai de muitas nações. Ele iria dar fim a única esperança dessa promessa de forma trágica e absurda. Esperar em que? Crer contra o que a ele esperava! Isto é “em esperança, creu contra a esperança” e assim não só foi pai de muitas nações mas também conceituado como pai da fé, sem ela não há como agradar a Deus! Mas para tal fé teremos que enfrentar nosso maior inimigo, confiar em Deus não em nossa lógica, em nosso racionalismo, em nossa esperança tão humana.
Amém!

Joaquim Tiago - Bill

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Frustração Religiosa

Estou profundamente frustado com a situação religiosa local e de mais localidades do Estado e Nação. Sei que sempre aconteceu escândalos durante a história, uns feios e outros horríveis, fogueiras, mortes, invejas, adultérios, traições e uma lista enorme que é sempre fruto da natureza humana caída, egoísta e vaidosa.
O ser humano é assim mesmo, poderia dizer eu, maldoso e doente, adoecido por esse sistema. Mas o Apóstolo Paulo convertido de fato, sabia que ele não mais vivia, isto é: sua natureza e vontade - mas sim Cristo vivia nele pela fé, a nova natureza e condição de ser/vida (Gl 2.20).
O que estamos cultuando como culto? Não, calma! Não é pleonasmo ou repetição! Temos como adoração hoje na religião vigente o culto, a “cultolatria” e estamos viciados em valores do reino, mas não o Reino de Deus e sim o do dinheiro, do poder e vaidade. Servimos as tarefas, agendas, programações, métodos religiosos para enriquecer como jogador de futebol ou algum pop star. Cultuamos a soma de números de membros e outros valores que neste horário não caberia ficar escrevendo. Vamos ao culto fazer o que? Adorar o culto e sair mais cultuado do que Deus!
Para quem ainda não sabe adoração é servir, servi a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Quando adoramos a Deus manifestamos seu caráter servindo ao próximo em amor.
Jesus disse certa vez aos seus discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona (PEDRA DE MOINHO), e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.” Lc 17.1,2.
Não participe você das manipulações e escândalos, busque a Deus enquanto se pode achar!

Quero aproveitar e oferecer essa maravilhosa parábola do Rubem Alves para sua meditação. Qualquer semelhança é puro acaso...


O pastor, as ovelhas, os lobos e os tigres.

“Era uma vez um pastor que gostava muito das suas ovelhas. Gostava delas porque eram mansas e indefesas: não tinham garras, não tinham presas, não tinham chifres. Eram incapazes de atacar e incapazes de se defender. Mansamente elas se deixavam tosquiar. O pastor gostava tanto delas que prometeu defendê-las sempre de qualquer perigo. Como prova do seu amor, tornou-se vegetariano. Jamais mataria uma ovelha para comer. Como resultado de sua dieta de frutas e vegetais, o pastor era muito magro. Havia nas matas vizinhas lobos que também gostavam das ovelhas. Gostavam delas porque eram mansas e indefesas: não tinham garras, não tinham presas, não tinham chifres. Eram incapazes de atacar e incapazes de se defender. Mansamente se deixavam devorar. É: o gostar, frequentemente, produz resultados diferentes. O gostar do pastor produzia cobertores de lã. O gostar dos lobos produzia churrascos. O pastor estava sempre atento para protejer suas ovelhas contra os ataques dos lobos. Levava um longo cajado nas mãos para golpear os lobos atrevidos que chegavam perto e um arco e flechas para ferir os prudentes que ficavam longe. Viviam assim o pastor, ovelhas e lobos, num delicado equilíbrio. A notícia das ovelhas chegou aos ouvidos de uns cães famintos e de umas hienas magras que moravam nas cercanias. Resolveram mudar-se para a floresta dos lobos para melhorar de vida. Parentes que eram, falavam a mesma língua e logo se entenderam. Organizaram-se, então, de forma racional, a fim de terem churrascos mais frequentes. O cajado e as flechas do pastor se mostraram impotentes diante das novas táticas. Enquanto ele espantava os lobos que se aproximavam pelo sul, os cães e as hienas matavam as ovelhas que pastavam ao norte. O pastor concluiu que providências urgentes tinham de ser tomadas para a segurança das ovelhas. Pensou: “os lobos, os cães e as hienas atacam porque as ovelhas são indefesas. Se elas tiverem meios de se defender, eles não se atreverão. Preciso armar minhas ovelhas.” Mandou então fazer dentaduras com dentes afiados, chifres pontudos e garras de ferro, com que dotou suas mansas ovelhas. Os lobos e seus aliados, vendo as ovelhas assim armadas, riram-se da ingenuidade do pastor. O fato é que as ovelhas ficaram ainda mais indefesas do que eram, pois não sabiam usar as armas com que o pastor as dotara. Os churrascos ficaram ainda mais frequentes. Com isso, lobos, hienas e cães engordaram. O pastor teve então uma outra ideia: “Vou contratar guardas de segurança profissionais para proteger minhas ovelhas.” Os guardas teriam de ser mais fortes do que cães, hienas e lobos. “Tigres”, pensou o pastor. Mas logo teve medo. “Tigres são carnívoros. É possível que gostem de carne de ovelha.” Só se houvesse tigres vegetarianos. Soube então que um criador de tigres, com uso de técnicas psicológicas pavlovianas, havia conseguido transformar tigres carnívoros em tigres vegetarianos. Seus hábitos alimentares eram iguais aos das ovelhas. Nesse caso, não ofereciam perigo. O pastor então contratou os tigres vegetarianos como guardas das suas ovelhas. Os tigres, obedientes, começaram a guardar as ovelhas e diariamente recebiam, como pagamento, uma farta ração de abóboras, nabos e cenouras. Os lobos, as hienas e os cães, vendo os tigres, ficaram com medo. Como medida de segurança passaram a caçar as ovelhas durante a noite. Os tigres, patrulhando a floresta, vez por outra encontravam os restos dos churrascos com que os lobos, hienas e cães haviam se banqueteado. Sentiram, pela primeira vez, o cheiro delicioso de carne de ovelha. Lambendo os restos, sentiram, pela primeira vez, o gosto bom do seu sangue. E perceberam que a carne de ovelha era muito mais gostosa que sua ração de abóboras, nabos e cenouras. Pensaram então: “Melhor que sermos empregados do pastor seria sermos aliados dos lobos, das hienas e dos cães.” E foi o que aconteceu. Tigres, lobos, hienas e cães tornaram-se sócios. Os lobos, as hienas e os cães tornaram-se atrevidos. Não atacavam mais durante a noite. Atacavam em pleno dia. Ouvindo os balidos das ovelhas, o pastor gritava pelos tigres. Mas eles não se mexiam. Faziam de conta que nada estava acontecendo. Mal sabia ele que os tigres, durante as noites, comiam churrasco com os lobos, com as hienas e com os cães. O pastor resolveu pôr ordem na casa. Chamou os tigres. Repreendeu-os. Ameaçou cortar sua ração, ameaçou despedi-los. Foi então, em meio ao sermão do pastor, que os tigres começaram a se perguntar uns aos outros: “Qual será o gosto da carne de um pastor?” E responderam: “É preciso experimentar!” Dada a resposta, o mais forte deles abriu uma boca enorme e emitiu um rugido horrendo, mostrando os dentes afiados. O pastor, olhando para a boca do tigre, viu então o que nunca imaginara ver: chumaços de lã entre os dentes do tigre. Num relance ele percebeu o destino que o aguardava: ser churrasco de tigre. E seu pensamento pensou depressa. O pastor já notara que os lobos, as hienas os cães e os tigres estavam gordos e felizes. Ele vegetariano, defensor das ovelhas, estava cada vez mais magro. E assim, numa fração de segundo, ele compreendeu a realidade da vida. E, antes que o tigre o devorasse, ele propôs: “Façamos uma aliança ...” E desde esse dia, a fazenda, que se chamava Ovelha Feliz, passou a se chamar Ovelha Saborosa. O pastor, os tigres, os lobos, as hienas e os cães viveram felizes pelo resto dos seus dias, cada vez mais gordos, as bocas sempre lambuzadas com gordura de ovelha.

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Rubens Alves. Na morada das Palavras, pag. 31 – Papirus Editora, 2003.

sexta-feira, novembro 28, 2008

O grito que ecoou em Novembro

Choveu muito neste novembro! O que trouxe a chuva para nós?
Bom, além de molhar (bem) a terra, as flores e produzir estragos em alguns lugares alagados que comprovam os fatores climáticos extremos provocados pelo aquecimento global, existe sempre algo a mais. Chuva é água e água é vida (ou morte) para os seres. Água é esperança de dias melhores como o de pétalas vermelhas em seu sublime desabrochar, “matar” a sede, aliviar o calor, hidratar os poros e muito mais.
Novembro de 2008 esta acabando, esta terminado os dias de um mês vermelho para nós, só podia, como já dizia o poeta: “O tempo não para!” . Mas deixará boas lembranças, alegrias e o sonho que novamente renasce como o sol em nossas vidas.
Lembro-me (ainda) quando tudo começou, a decisão prevendo em novembro o nascimento da comunidade, ou na verdade se formularia o que já estava vivo em nossos corações (ações). O que parecia ser uma mistura de ingenuidade com vontade. Fé e coragem, nos levou ao aprendizado de um inesperado caminho que se forma a cada dia, a cada momento. E dentro deste caminho o mais importante nasceu, a grande família, aos laços da poesia onde Cristo é presente, a presença do Filho, o Cabeça do Corpo e nós membros uns dos outros. Somos dissidente de odres velhos (saco de couro para levar vinho), de outras tribos, ou mesmo tribalistas, mas não queremos ser apenas parte de contexto, mas parte do corpo verdadeiro, da verdade, vida e caminho.
Somos um grito, porque primeiro o ouvimos chamar, no meio de uma era de incertezas, medo, crises, pessimismo. O que nos chamou continua nos convidando ao arrependimento, a uma nova vida. Ou vida nova? O que faz a diferença mesmo é viver a mesma vida com o novo significado de ser.
Ele gritou na cruz o amor ao mundo de seu Pai, ele foi um o grito de amor que ecoa e que morreu em meu lugar. Para apóstolo como para mim, ninguém tem maior amor do que esse, o de entregar a sua própria vida em favor dos seus amigos. Esse é o grito que ecoou aqui em Novembro! Vermelho pelo teu sangue Jesus!
Esse é um grito que não vai parar!

Agradecemos aos ministérios e amigos:
Avalanche;
Caverna de Adulão;
Impacto Urbano;
Milícia;
Metanoia Fest;
Tribal Generation;
Amigos, amigos e amigos!

quarta-feira, novembro 12, 2008

Por uma questão sócio-ambiental

E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.(Lc 16.8)

Essa é uma questão para cristão ficar se envolvendo?
Trágico se não fosse cômico esta diante dessa questão inicial para podermos depois pensar na outra que é séria. Essa é então mais uma das questões que teremos de resolver em nós.
Não é da prática cristã e principalmente em nossa região envolver-se com assuntos tão "complicados". Geralmente o que mais nos preocupa é ir embora morar no céu ou mesmo a tão valiosa maneira de ganhar a vida através de uma barganha com Deus. Apegado aos meios e fica-se somente nos meios porque já não preocupamos tanto com o fim de tudo, ou como dizem: "Os fins justificam os meios". Que fim?
Queremos nos salvar daquilo que sempre nos aflige, o medo e a ganância, que é o medo de ficar "pobre". E ainda temos toda uma agenda e programação para cultuarmos. A agenda vem carregada com ideal de termos o maior número de pessoas possíveis ajuntadas. Com tudo isso e mais um pouco de vida "pessoal" não temos tempo para pensar o que vai ser do mundo e da nossa cidade se continuarmos da mesma forma: poluindo e sendo consumidores de poluentes. No mais saímos com aquela: "Isso é responsabilidade das ‘autoridades’ dos ‘governantes’, dos ambientalistas" e um monte de outras desculpas.
Porém, se nos considerarmos cristãos de fato, de ação, essa é uma questão e responsabilidade nossa! Sim, e não podemos fugir fazendo de conta que somos de outro planeta, de outro mundo.
O que é um cristão? Um cristo menor, seguidor de Jesus Cristo e mordomo dessa terra .
Jesus Cristo nosso mestre quando veio disse: "(...) eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." (João 10 : 10). O que é ter abundância de vida, ou vida plena? É ter uma vida completa, ou completada as necessidades do homem todo. O medo e a ganância nos afastam um dos outros e alimenta o egoísmo, o egoísmo nos faz incompleto e incompleta o mundo! Isso é tudo que um cristão de fato e ação não é e nem pode ser.
Hoje a natureza sofre e muito por que aprendemos a explorar para uns poucos sem pensar nos outros, no próximo ou no futuro dos nossos pequeninos. Consumimos desenfreadamente fazendo o mercado produzir e explorar. Não nos completamos e comungamos como cristãos em corpo por pensarmos somente em nossa satisfação pessoal. Não reciclamos, não poupamos e fazendo assim o pão já não é nosso e sim de alguns.
A terra esta mal dividida e milhares já não tem onde plantar, alguns já não tem a mais água para beber, alguns já não tem mais ar para respirar. O progresso destrói e no fim quem vai ter barcos salva vidas quando tudo afundar?
Secas, selvas transformadas em pastagens, rios transformados em esgotos, desnutrição, pestes como a dengue, e nossa resposta diante de toda essas tragédia não pode ser cada um que se cuide. Jesus Cristo não ensinou assim!
Por isso nada mais viável do que pensarmos a questão sócio-ambiental, ela faz parte de nossa ação como responsáveis cuidadores dessa terra, é parte integral da nossa vida cristã. Não pretendemos cuidar de um mundo que se traduz em um sistema de mentiras, corrupção e morte. Estamos sim pretendendo cuidar do que o Pai nos deu, a terra e sua natureza formosa, essa que supre e nos da o pão nosso de cada dia.
Cuidar da terra é ser adorador, é ser mordomo e aprender a servir. Saber que existe um ciclo sagrado da semente que cai e morre para poder nascer novamente e se multiplicar levando vida a muito mais pessoas. O ciclo é completo pela água, pelo ar, pela terra, por aquele que plantou e colheu. A colheita vai ser sempre uma festa onde podemos repartir e dividir na mesa da ceia, na mesa da vizinhança, na mesa onde o suco da uva se mistura a massa do pão, do corpo presente onde há realmente vida. Assim somos todos transformados em alegria e amor. Nesse meio não existe preguiça, comodismo, medo, soberba e egoísmo, tudo é combatido com a fé.
Você também foi chamado para ser parte desse corpo, da grande comissão. Comece a se questionar, qual é o papel desenvolvido pôr você que se considera cristão diante do quadro sócio-ambiental da sua casa, vizinhança, cidade e planeta. Podemos pensar alternativas e mesmo em nosso pequeno meio sermos mais coletivos e menos individuais, combatermos esse egoísmo, esse medo e essa ganância. Sermos mais pró vida e menos pró morte da vida. Amém!

Joaquim Tiago – Bill

terça-feira, setembro 23, 2008

VISÃO DA IGREJA EM JESUS

Ekklésia
O original do termo igreja, em grego, é EKKLÉSIA. No grego clássico, este termo significa assembléia dos cidadãos de uma cidade, com objetivos legislativos ou deliberativos. Antes não havia no termo, cunho religioso. Logo depois, com o avanço das sinagogas em outras terras, como na Grécia, no meio dos gentios o termo foi adotado para designar a assembléia religiosa local dos hebreus, que viviam fora de Jerusalém. Antes da igreja cristã ou assembléia dos cristãos, falava-se da Eclésia de Jerusalém. Muitos gentios, nesse período, foram admitidos nessas reuniões ou assembléias, onde causaram polêmica por causa dos preceitos da lei.

Igreja Apostólica
Logo após a morte e ressurreição de Jesus, ele deixa uma missão junto aos apóstolos e a todos. Jesus dá uma ordem, principalmente a eles, para esperarem em Jerusalém, até que do alto fossem revestidos de poder e a partir daí fossem testemunhas pregando o evangelho ou as boas novas do Reino. Discípulos de Jesus, eles foram testemunhas vivas da morte e ressurreição. Os sinais os acompanhariam. Nos atos dos apóstolos, vimos que muitas pessoas foram se convertendo, aumentando o número de salvos a cada dia, e eles tinham tudo em comum. Saulo, grande perseguidor dos cristãos, converte-se, vai trabalhar com os gentios e sempre ia às sinagogas discutir com os judeus. Assim, de uma forma bem resumida, surge a assembléia dos cristãos. Surge a igreja de Cristo em Roma, Corintios, as 7 igrejas da Ásia e depois outras, em outros lugares.
Jesus começa sua igreja com seus discípulos e a eles revela os mistérios. O objetivo era propagar o Reino de Deus. Ele não modela qualquer organização ou plano de governo para essa sociedade. “Jesus criou a igreja, mas nele não há modelo de organização para a igreja, somente a ordem para se fazer discípulos, batizar e ceiar.

ONTEM E HOJE
Durante a história, esta assembléia foi ganhando nomes, credos, formas, tradições, liturgias. A igreja, no primeiro século, foi duramente perseguida por Nero, porém mais tarde, se tornou religião oficial do Império Romano, no período de Constantino. De perseguida veio a ser perseguidora, aliou-se ao poder. A igreja foi palco de várias questões, detentora do saber e veio a se dividir várias vezes com várias raízes teológicas. A igreja fez Missões para evangelismo e serviu ao expansionismo burguês europeu durante as Grandes Navegações.
Portanto, a igreja deixou de ser de Cristo para ser de homens poderosos. Passou a ser organização política e a serviço do mal e da opressão em suas cruzadas por vários lugares da terra. Porém, em meio a tudo isso, ou em toda essa história, o Corpo de Cristo e o seu Reino chegaram até nós, aos nossos corações, graças a homens e mulheres anônimos, que mesmo fora da assembléias oficiais, foram pessoas espirituais, com a verdadeira visão do Reino de Cristo. Estes acontecimentos estão relatados em livros de história.


A UNIDADE DO ESPÍRITO
Efésios 4.1.ROGO-VOS, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,2.Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,3.Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.4.Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;5.Um só SENHOR, uma só fé, um só batismo;6.Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.7.Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.

O Corpo só existe se houver unidade! Quem nos uniu para sermos um corpo? Quem nos uniu para sermos de fato igreja? O Espírito! Como reunir povos, tribos e pessoas de culturas diferentes em só corpo? A igreja é espiritual quando há a união de pessoas espirituais!
Com tanta pluralidade cultural dentro das tribos, urbanas ou selvagens, sempre irá existir divergência de idéias. Desde o século I, a igreja vem sofrendo com essas questões entre gentios e judeus e demais situações relatadas nas cartas de Paulo. Não é a sabedoria humana que vai criar unidade para corrigir essas diferenças, nem uma uniformização exterior pode trazer uma unidade verdadeira. Somente o Espírito Santo é capaz e sem ele é impossível.
As pessoas espirituais irão optar por uma vivência espiritual para sempre manter a unidade pelo vínculo da paz.
Existe uma “unidade básica” e os cristãos, através da exortação de Paulo, não estão sendo motivados a criar esta unidade, mas conservar a que já existe. Se existe corpo, igreja, comunidade, tudo é fruto de unidade. Temos agora que preservá-la, mantê-la. Depois de criado a unidade pelo Espírito, é responsabilidade total dos cristãos preservá-la.
Que unidade é essa? Há um só corpo! Um só Espírito! Um só Senhor!
A igreja não é apenas uma instituição que concorda com idéias, em sua maioria, dando forma assim, a um ajuntamento de pessoas. A igreja é um organismo vivo em uma unidade corporal onde Cristo é o cabeça. Não estamos criando nada referente a igreja, ela já existe e tem dono! Tudo no corpo compartilha a mesma vida. “Uma organização deriva seu poder da associação de indivíduos, mas um corpo deriva seu poder compartilhando vida.” STEDMAN, pg 30.
Jesus é a pedra angular e sobre ele é que estamos fundamentados. A igreja do Novo Testamento é obra do Espírito Santo, Jesus falou que iria, mas deixaria o Consolador para nos auxiliar em tudo, para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. A igreja tem que depender do Espírito de Deus, a obra é Dele.
A igreja representa a noiva sendo agora preparada pelo amigo do Noivo: O Espírito Santo! Um dia o Espírito e a noiva irão dizer, vem, pode vir resgatar sua noiva, ela esta pronta, Aleluias!
Quando Paulo escreve aos Corintios, diz: “ninguém pode dizer Jesus é o Senhor, a não ser pelo Espírito Santo.”
Entendendo tudo como pessoas agora espirituais, discernindo bem todas elas, chegamos à conclusão de que não estamos criando nada, por que já existe, devemos é manter, procurar conservar o que no original grego é: disposição da vontade e atividade, não apenas de forma exterior, mas no interior. Nós nos reunimos para nos entender mutuamente, perdoar, orar uns pelos outros. Temos que evidenciar a unidade através da graça. Paulo fala também aos Corintios sobre a reunião por ocasião da ceia, o fato é que quando eles se reuniam e não havia verdadeira união, isso é desagradável, ele até entendia o porque, mas isso levava o povo a comer e beber da ceia de forma indigna, eles não discerniam o próprio corpo e por isso havia muitos fracos e doentes no meio deles.
Entendendo tudo com maior profundidade espiritual, saberemos que não somos apenas uma organização institucional. Através de uma unidade espiritual, podemos promover o bem comum e nesse comum alcançarmos uma instituição melhor, uma comunidade sincera. Como eu já disse: o corpo pode administrar bem uma instituição, mas a instituição não fará um corpo. Amos 3.3. A igreja tem que permanecer fiel à sua vocação!
Com isso, Deus, através do Espírito, capacita a igreja com dons e formará aqueles que têm o trabalho de edificar o mesmo. A edificação do corpo é feita pelos dons ministeriais citados em Ef. 4.11. Tudo é para que todos cheguem a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, para que cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo: Sermos como Ele é!

Pergunta:
1. Nossas decisões (agora) são fruto de unidade?
2. Estamos decidindo com o fim de manter a unidade ou para nos dividir ainda mais?
3. Estamos (aqui) unidos em qual propósito?
4. O motivo do Grito existir como igreja em Cristo é para servir a Deus - amando e servindo as pessoas - ou ele existe para servir a um grupo de interesses?
5. Qual é a melhor forma de fazermos o trabalho sem nos dividir?

Joaquim Tiago, Bill

sexta-feira, setembro 05, 2008

Você é o que você fala.



A vida se tornou comunicação e a comunicação se tornou a vida. Vive-se hoje apenas por meios que se comunicam. A vida agora é virtual, por que a comunicação não é mais real, ela só exprime teorias. Nós temos todas as informações, nos temos o Google, maior e mais poderoso site de busca, de procura, uma rede de informções e teorias do planeta. O planeta é uma enorme rede, uma enorme teia onde a maioria ficou presa, são seres virtuais, de comunicação virtual.
É o falatório geral, fala-se de tudo e de todos, da mãe, do pai, do avo, do tio, das instituições, disso, daquilo e do que não se deve falar. Blá, blá, blá e mais um monte pra "encher linguíça". Todo dia algo novo, toda hora um discursso sobre o outro discursso e por ai vai a vida virtual do comunicador moderno ou pós.
Mas e a prática, e a ação do verbo, e a atividade da vida? Falar do que se faz de verdade contra falar por falar pra vê no que da. A comunicação não é uma ação do sou e sim do que podem ser e até do que se deve ser.
Martin Luther King morreu pelo que falou e falava de um sonho, um por qual sempre lutou, hoje pessoas falam para não morrer, por que é melhor matar alguém do que se colocar no lugar do outro.
Quem é você? Apenas aquele que comunica no vazio, que fala e não faz, só aprendeu a falar, só aprendeu a usar o Google para encontrar significado para a vida. Você também esta preso a uma cadeia de inutilidade, sentado numa cadeira comendo calorias, defronte o seu computador masturbando seu narcisismo ideológico e retórico.
Fala-se de justiça mas é injusto, fala-se de socialismo mas é egoista, fala-se de outros fazerem errado mas contribui pouco, fala-se que outro fala mas fala do outro também. Fala-se por necessidade mas não por convicção ou prática.
Estão pregando o evangelho mas vivendo a falta de boas novas, principalmente a falta de respeito ao próximo. Teologias de mais e vida de menos. Os chamados cristãos agora também sabem teorias, mistura com libertação, mas usam de libertinagem para maltratar uns aos outros, com palavras.
Ta na hora do silêncio, passou da hora de aprendermos com o mestre a lavar os pés uns dos outros, a fazer o mesmo. Que dia iremos assumir a IDENTIDADE de CRISTO e deixar a identidade do Orkut, do Fotolog, do MSN, do Blog, do control C e V e de outras identidades virtuais. Cansei desse falatório vazio, desse disse-me-disse, dessa comunicação virtual do nada existêncial.
É momento de praticar a fé e mudar de natureza. A vida comunica a ação da vida que vive em mim.


"Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também." (João 13 : 15)


ATITUDE+LIBERDADE+VERDADE
bill