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quarta-feira, novembro 25, 2009

apostasia cotidiana

por: Joaquim Tiago

Apostatar é uma ação de abandono do que se acreditava e não acredita mais. É como se não fizesse mais sentido crer no que se crer os crentes de uma religião, de uma filosofia ou de um grupo. Há muitos grupos de alguns que estão agindo desse forma em nossos dias. Outros tantos tem transferido sua fé para deuses contemporâneos, a começar pelo príncipe deste mundo, o capital financeiro, os valores monetários, a “bufunfa”.

O deus deste mundo egoísta consegue com muito mais “razão” e poder resolver os problemas dos que apostataram. O valor capital financeiro trouxe consigo a religião do consumo e o extremo do prazer imediato e sem compromisso, como a sensualidade e o sexo desregrado.

Existem novas religiões neste sistema, a religião do consumo é a filosofia do prazer. Os adoradores de si mesmo estão se poupando em tudo abandonado a fé na verdade para ter fé em si mesmo e nos deuses do espetáculo.

O que vc quer?

A fé não responde mais.

Nos temos uma para te vender.

“MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;”
(I Timóteo 4 : 1)

sexta-feira, julho 24, 2009

A origem da liturgia protestante

As reuniões da igreja primitiva eram marcadas pelo funcionamento de cada membro, numa participação espontânea, livre, vibrante e aberta. Era um encontro fluido, não um ritual estático. E era imprevisível, bem diferente do culto da igreja moderna.


A Missa Católica

De onde vem então a liturgia do culto protestante? Ela tem suas raízes principais na Missa Católica.

Segundo o historiador Will Durant, a Missa Católica foi “baseada em parte no culto do Templo judaico, em parte nos místicos rituais de purificação dos gregos”. Durant destaca que a Missa estava profundamente mergulhada tanto no pensamento mágico pagão como no drama grego. “A mente grega, moribunda, teve uma sobrevida na teologia e liturgia da igreja; o idioma grego, após reinar por séculos sobre a filosofia, chegou a ser o veículo da literatura e do ritual cristão; o misticismo grego foi passado adiante pelo impressionante misticismo da Missa”.

Os cristãos copiaram as vestimentas dos sacerdotes pagãos, o uso do incenso e da água benta nos ritos de purificação, a queima de velas durante a adoração, a arquitetura da basílica romana em seus edifícios de igreja, a lei romana como base da “lei canônica”, o título Pontifex Máximus (Sumo Pontífice) para o Bispo principal, e os rituais pagãos para a Missa Católica.




A contribuição de Lutero

Em 1520 Lutero lançou uma violenta campanha contra a Missa Católica Romana. O ponto culminante da Missa sempre foi a Eucaristia, também conhecida como “Comunhão”, “Ceia do Senhor” ou “Santa Ceia”. Tudo é direcionado para o momento mágico em que o sacerdote parte o pão e o distribui para as pessoas. Desde Gregório o Grande (540-604) a igreja católica ensinava que Jesus Cristo é novamente sacrificado através da Eucaristia.
Em vez da Eucaristia, Lutero colocou a pregação no centro da reunião.
O erro cardeal da Missa, disse Lutero, era que esta foi uma “obra” humana baseada numa falsa compreensão do sacrifício de Cristo. Então, em 1523, Lutero enunciou sua própria revisão da Missa Católica, revisão essa que é o fundamento de toda adoração protestante. O núcleo dela é: em vez da Eucaristia, Lutero colocou a pregação no centro da reunião.

Por conseguinte, no culto de adoração dos protestantes modernos o púlpito é o elemento central e não a mesa do altar (onde se coloca a Eucaristia nas igrejas católicas). Para Lutero, “uma congregação cristã nunca deve reunir-se sem a pregação da Palavra de Deus e a oração, não importa quão exíguo seja o tempo da reunião. A pregação e o ensino da Palavra de Deus é a parte mais importante do culto divino”.

A noção de Lutero da pregação como ponto culminante do culto de adoração permanece até nossos dias. Todavia tal crença não tem nenhuma procedência bíblica. Como disse um historiador, “O púlpito é o trono do pastor protestante”. É por esta razão que os ministros protestantes ordenados são comumente chamados de “pregadores”.
“O púlpito é o trono do pastor protestante”.
Apesar dessas modificações, a liturgia de Lutero variava bem pouco da Missa Católica. Basicamente, Lutero reinterpretou muitos dos rituais da Missa, mas preservou o cerimonial, julgando-o apropriado. Ele manteve, por exemplo, o ato que marcava o ponto culminante da Missa Católica: quando o sacerdote levanta o pão e o cálice e os consagra.

Da mesma maneira, Lutero fez uma drástica cirurgia na oração Eucarística, mantendo apenas as “palavras sacramentais” de 1 Coríntios 11:23 em diante — “O Senhor Jesus na noite em que foi traído, tomou o pão… e disse ‘Tomai e comei, este é o meu Corpo’…” Até hoje os pastores protestantes recitam religiosamente este texto antes de ministrar a comunhão.
Lutero nunca abandonou a prática de ordenação do clero.
A Missa de Lutero manteve os mesmos problemas da Missa Católica: os paroquianos continuaram sendo espectadores passivos (com a exceção de poderem cantar), e toda liturgia era dirigida por um clérigo ordenado (o pastor tomando o lugar do sacerdote). Embora falasse muito sobre “sacerdócio de todos os crentes”, Lutero nunca abandonou a prática de ordenação do clero. Sob a influência de Lutero, o pastor protestante simplesmente substituiu o sacerdote católico.



A contribuição de Zwinglio

Zwinglio (1484-1531), o reformador suíço, aos poucos introduziu sua própria reforma, que ajudou a desenhar a ordem de adoração de hoje. Ele substituiu a mesa do altar por algo chamado “mesa da comunhão”, onde se ministrava o pão e o vinho. Ele também ordenou que se levasse o pão e o vinho à congregação em seus bancos utilizando bandejas de madeira e taças.

Zwinglio também é nominado como o paladino da abordagem da Santa Ceia enquanto “memorial”. Este ponto de vista é apoiado pela corrente principal do protestantismo estadunidense. O pão e o vinho são meramente símbolos do corpo e do sangue de Cristo. Como Lutero, Zwinglio enfatizou a centralidade do sermão. Tanto que ele e seus colegas pregavam com a freqüência de um canal de notícias televisivo: catorze vezes por semana.



A contribuição de Calvino e Cia

Os reformadores João Calvino da Alemanha (1509-1564), João Knox da Escócia (1513-1572), e Martin Bucer de Suíça (1491-1551) fizeram algumas modificações na liturgia de Lutero. A mais notável foi a coleta de dinheiro após o sermão. Como instrumentos musicais não são mencionados explicitamente no Novo Testamento, Calvino eliminou o órgão e os coros.

Como Lutero, Calvino enfatizou a centralidade da pregação durante o culto de adoração. Ele acreditava que cada crente tinha acesso a Deus através da Palavra pregada e não através da Eucaristia. Devido a seu gênio teológico, a pregação na igreja de Calvino em Gênova era intensamente teológica e acadêmica. Também era altamente individualista, característica que nunca foi eliminada no protestantismo.

A igreja de Calvino em Gênova foi o modelo para todas as igrejas reformadas. Isto explica o caráter intelectual da maioria das igrejas protestantes hoje, especialmente a Reformada e a Presbiteriana.

A característica mais nociva da liturgia de Calvino é a de fazer o culto ser dirigido de cima do púlpito. O cristianismo nunca se recuperou disso. Hoje, o pastor atua como mestre de cerimônias e diretor executivo do culto dominical.

Um costume adicional que os reformadores copiaram da Missa foi a prática do clero caminhar em direção a seu assento designado no princípio do culto enquanto a congregação ficava em pé, cantando. Essa prática teve início no século IV quando os bispos entravam magnificamente em suas basílicas, e foi por sua vez copiada diretamente do cerimonial da corte imperial pagã. É ainda observada em muitas igrejas protestantes.



A contribuição dos puritanos

O abandono das vestes clericais, ídolos, ornamentos e o clero escrevendo seus próprios sermões (em vez de ler homilias) foi uma contribuição positiva que os puritanos (os calvinistas da Inglaterra) nos legaram.

A glorificação do sermão, no entanto, alcançou seu apogeu com os puritanos norte-americanos. Os residentes da Nova Inglaterra que faltavam ao culto eram multados ou presos no tronco.



As contribuições dos metodistas e do Evangelismo da Fronteira

Os metodistas do século XVIII proporcionaram uma dimensão emocional à ordem de adoração protestante. A congregação foi convidada a cantar com força, vigor e fervor. Desta maneira, os metodistas foram os precursores dos pentecostais.
Os metodistas proporcionaram uma dimensão emocional à ordem de adoração protestante.
Os séculos XVIII e XIX trouxeram novidades para o protestantismo americano. Primeiramente, os evangelistas fronteiriços alteraram a meta da pregação. Sua meta exclusiva era agora a conversão de almas. Dentro da cabeça do evangelista, não havia outra coisa no plano de Deus a não ser a salvação. Esta ênfase teve sua origem na pregação inovadora de George Whitefield (1714-1770), o primeiro evangelista moderno a pregar ao povo ao ar livre. A noção popular de que “Deus ama você e tem um plano maravilhoso para sua vida” foi introduzida por Whitefield.

Em segundo lugar, a música do evangelho fronteiriço falava à alma e visava propiciar uma resposta emocional à mensagem da salvação. Todos os evangelistas famosos tinham músicos em sua equipe justamente para este propósito. A adoração passou a ser um espetáculo.

Seguindo a trilha dos revivalistas, o culto metodista passou a ser o meio para obter o fim. A finalidade do culto já não era mais a simples adoração a Deus: os crentes foram instruídos a ganhar novos crentes individuais. Os sermões abandonaram a temática da “vida real” para proclamar o evangelho ao perdido. Toda humanidade foi dividida em dois desesperados campos polarizados: perdido ou salvo, convertido ou incrédulo, regenerado ou condenado.
Os evangelistas fronteiriços alteraram a meta da pregação; sua meta exclusiva era agora a conversão de almas.

Em terceiro lugar, os metodistas e os evangelistas fronteiriços deram à luz o “apelo”, a prática de convidar pessoas que desejam orações a colocar-se de pé e vir à frente.

Tanto pecadores como santos carentes eram convidados a ir à frente para receber as orações do ministro. Charles Finney (1792-1872) convidava o pecador para ir à frente e ajoelhar-se diante da plataforma para receber a Cristo. Finney tornou esse método tão popular que “após 1835, chegou a ser um elemento indispensável no moderno revivamento”.

Além da popularização do apelo, também se atribui a Finney a invenção da prática de orar nominalmente pelas pessoas e mobilizar grupos de obreiros para fazer visitas nas casas.
A contribuição predominante de Finney ao cristianismo moderno foi o pragmatismo.

A contribuição predominante de Finney ao cristianismo moderno foi o pragmatismo – a crença de que se algo funciona ou dá resultados, deve ser apoiado ou aceito. Finney ensinava que o único propósito da pregação é ganhar almas; qualquer mecanismo que ajudasse atingir esta meta poderia ser aceito. O cristianismo moderno nunca se recuperou desta ideologia anti-espiritual.

A meta dos Evangelistas Fronteiriços era levar pecadores individualmente a uma decisão individual por uma fé individualista. Como resultado, a meta da Igreja Primitiva — a edificação mútua e o funcionamento de cada membro manifestando Jesus Cristo coletivamente diante dos principados e potestades — perdeu-se completamente.

O Evangelismo Fronteiriço americano converteu a igreja em um ponto de pregação, reduzindo a experiência da ekklesia a uma missão evangelística. Isto normatizou os métodos revivalísticos de Finney e criou personalidades do púlpito como a atração dominante.



A tremenda influência de D. L. Moody

As sementes do “evangelho revivalista” foram espalhadas através do mundo ocidental pela influência de D. L. Moody (1837-1899).

Moody inventou o solo após o sermão do pastor. O cântico de apelo era entoado por um solista até que George Beverly Shea sugeriu que fosse cantado pelo coral. Shea encorajou Billy Graham de utilizar um coral para cantar hinos como “Eu venho como estou” enquanto as pessoas iam à frente para aceitar a Cristo.

Moody deu-nos o testemunho porta em porta, os anúncios e as campanhas evangelísticas. Deu-nos o “cântico de evangelização” ou “hino evangelístico” e também popularizou o “cartão de decisão”, invenção de Absalom B. Earle (1812-1895).

Moody foi o primeiro a pedir ao que queria ser salvo para colocar-se em pé e deixar-se conduzir em uma “Oração do Pecador”. Cinqüenta anos depois, Billy Graham melhorou a técnica de Moody introduzindo a prática de pedir ao ouvinte para baixar a cabeça, fechar os olhos (“sem olhar nada em volta”), e levantar as mãos como resposta à mensagem salvadora.

Vale notar que Moody foi grandemente influenciado pelo ensino dos Irmãos Plymouth quanto à escatologia (final dos tempos), que pregava a vinda iminente de Cristo antes da grande tribulação. O pré-tribulacionismo deu origem à idéia de que os cristãos necessitam salvar muitas almas o mais rápido possível, antes do fim do mundo.



A contribuição pentecostal

Inaugurado por volta de 1906, o movimento Pentecostal trouxe uma expressão mais emotiva através dos cânticos entoados pela congregação. Estes incluíam mãos levantadas, danças entre os bancos, bater palmas, falar em línguas e o uso de pandeiros.

Porém, suprimidas as características emotivas do culto pentecostal, sua liturgia é idêntica à batista. Um pentecostal tem apenas mais espaço para mover-se ao redor do seu assento.

Como em todas as igrejas protestantes, o sermão é o ponto culminante da reunião pentecostal. Todavia o pastor às vezes sentirá “o movimento do Espírito”. Nesse caso, ele adiará seu sermão para o próximo domingo, e a congregação cantará e orará durante o resto do culto.

A tradição pentecostal também deu-nos a música do solista e a música coral (muitas vezes descrita como “música especial”) que acompanha a oferta.

Na mente do pentecostal, a adoração a Deus não é um assunto coletivo [o corpo da igreja], mas uma experiência individual [o membro da igreja]. Com a penetrante influência do movimento carismático, essa obsessão de adoração individualista infiltrou-se na grande maioria das tradições protestantes.



Muitos ajustes, nenhuma mudança vital

Durante os últimos 500 anos, a ordem de adoração [liturgia] protestante permaneceu quase que praticamente inalterada. No fundo, todas as tradições protestantes partilham as mesmas características em sua liturgia: suas reuniões são celebradas e dirigidas por um clérigo, o sermão é a parte central, os membros são passivos e não tem permissão para ministrar.
São celebradas e dirigidas por um clérigo, o sermão é a parte central, os membros são passivos.

Os reformadores produziram uma tímida reforma da liturgia católica. Sua principal contribuição foi a mudança do enfoque central. Nas palavras de um erudito, “o catolicismo seguiu o caminho dos cultos pagãos, tomando o ritual como elemento central de suas atividades, enquanto que o protestantismo seguiu o caminho da sinagoga ao colocar o livro no centro de seus cultos”. Lamentavelmente, nem o catolicismo nem o Protestantismo tiveram êxito em colocar Jesus Cristo no centro de suas reuniões. Não é surpreendente o reformador ver a si mesmo como católico reformado.

É de lamentar-se que a liturgia protestante não tenha se originado com o Senhor Jesus, os Apóstolos, nem com as Escrituras do Novo Testamento.

A liturgia protestante reprime a participação mútua e o crescimento da comunidade cristã. O culto inteiro é dirigido por um homem. Onde está a liberdade para que Jesus fale através de Seu Corpo a qualquer momento? De que forma, na liturgia, Deus poderá dar a um irmão ou irmã uma palavra para compartilhar com toda congregação? A ordem de adoração não permite tal coisa. Jesus Cristo não tem a liberdade de expressar, através de Seu Corpo, Sua direção. Ele é mantido cativo por nossa liturgia. Ele mesmo é transformado em espectador passivo.

Finalmente, para muitos cristãos o culto dominical é extremamente enfadonho. É sempre a mesma ladainha sem nenhuma espontaneidade. É altamente previsível, bem superficial, e completamente mecânico. Há pouco ar fresco ou inovação.

Igrejas atentas ao seu “índice de audiência” tem reconhecido a natureza estéril do culto moderno. Contudo, apesar do entretenimento, até mesmo o movimento das igrejas que atuam em função de seus “indicadores” não conseguiu livrar-se da pró-forma litúrgica protestante, imóvel, sem imaginação, sem criatividade, inflexível, ritualista, sem sentido.

O culto, portanto, continua cativo pelo pastor; o tripé “sermão, hino, apelo” permanece intacto; e a congregação prossegue na condição de espectadora muda (só que agora está mais entretida nesta condição).

A liturgia protestante que você assiste (ou agüenta) a cada domingo, ano após ano, dificulta a transformação espiritual. Isto porque essa forma de culto: 1) estimula a passividade, 2) limita o funcionamento, e 3) implica que investir uma hora por semana é o segredo da vida cristã vitoriosa.
O cristianismo primitivo era informal e livre de rituais.
O fato é que a liturgia protestante é antibíblica, impraticável e antiespiritual. Não há nada semelhante a isso no Novo Testamento. A liturgia contemporânea dilacera o coração do cristianismo primitivo, que era informal e livre de rituais.

Reuniões [como as da igreja primitiva] são marcadas por uma incrível variedade. Não são ligadas a um homem, nem a um modelo de adoração dominada pelo púlpito. Há espontaneidade, criatividade e frescor.

O Novo Testamento não silencia com respeito a como nós, cristãos, devemos nos reunir. Devemos continuar a arruinar o funcionamento da direção de Cristo defendendo as tradições do homem?

Ficar dramaticamente longe deste ritual dominical é a única maneira de descongelar o povo de Deus.

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Via: http://www.baciadasalmas.com/

Fonte: Versão condensada do primeiro capítulo de Cristianismo Pagão, do maluco Frank Viola. Leia o livro completo aqui(o servidor é o geocities, fica temporariamente fora do ar se o limite de acessos for ultrapassado), ou baixe o arquivo PDF. A tradução é de Railton de Sousa Guedes.

http://www.box.net/shared/89m01jdu8b


segunda-feira, maio 18, 2009

Relacionar: A arte de (com) viver - Conclusão

“Jesus não se agarrou a nenhum direito”. WILLIAN, P. Young - A Cabana, Pg. 124.
“Os direitos são o que os sobreviventes procuram para terem de trabalhar os relacionamentos”. Idem, Pg.124.


Essa não é uma tarefa fácil. Fomos ensinados a termos direitos. Vivemos em uma sociedade mercantilista onde as coisas são feitas sobre interesses. A sociedade aprendeu a relacionar com a morte, isto é uma relação de ganho. São relações de puro interesse resguardando imagem, sensualidade e individualismo.
É a famosa frase: O que vou ganhar com isso? O que pode me dar de retorno?
Não há como vivermos sem relacionar, porém dependendo de qual relacionamento tivermos, seremos levados pelo engano, pelo medo, pelo descontrole, pela ansiedade, pela depressão, pela angustia e pela solidão.
Relacionar com a perda da vida é relacionar com dúvida e consigo mesmo, satisfazer os desejos de si para si.
Relacionar com Deus é relacionar com os irmãos, por que Deus sempre É, quando: um, dois ou três estiverem juntos (Mateus 18 : 20).
I João 4.18
Como você tem vivido?
Olhe para seus relacionamentos! Veja se você esta andando na luz?
Seus relacionamentos vão falar e traduzir quem você é!
A crise de identidade e existencial é relacional, quando perdemos a semelhança em detrimento a imagem não discernimos mais quem somos espiritualmente e ficamos cativos a paixões carnais que não tem significado para alma e espírito.
Nosso espírito fica em angustia e medo da própria vida. Quer matar alguém é só isolá-lo.
O verdadeiro amor aperfeiçoa quem somos e para que fomos criado de fato. Quem ama se assemelha ao Pai, age como o Pai, o filho e o Espírito.

Vive a vida sem medo de viver,
por que vive pela fé e não apenas pelo que vê.


Joaquim Tiago

sexta-feira, maio 15, 2009

Relacionar: A arte de (com) viver - parte 3

2. Qual é a semelhança de Deus?
I João 2.18-19

“(...) não quero ser o primeiro numa lista de valores. Quero estar no centro de tudo. Quando vivo em você, podemos viver juntos tudo o que acontece com você”. WILLIAN, P. Young - A Cabana, pg. 193.

Essa é uma boa pergunta:
Onde foi que caímos (ou) Onde foi que erramos?
Para entendermos a semelhança de Deus ou o que se assemelha a Ele e para expressarmos nesta imagem terrena devemos saber primeiro quem Ele é de fato.
Baseado na I Carta do apóstolo João vamos renovar nosso entendimento, depois fazer sacrifício vivo santo e agradável a Deus, o que se traduz em culto racional:

2.1. Quem Deus é? 4.16b
Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Existe uma outra forma de ter semelhança ou expressar a semelhança de Deus sem amar? Não!
Deus é amor!

2.2. O que é o amor? 3.16
Dar a vida como Cristo é achar o significado de viver e de amar. É achar a vida (Mt 10.39)!
Quem esta tentado preservar sua vida de sentidos esta perdendo a mesma, está no jogo da morte, num mundo sensual, egoísta e individualista.
Amar é verbo transitivo direto e pede complemento, logo quem ama, ama algüém (ou algo).

2.3. Onde encontrar o amor? 3.18
Aqui vamos matar o que nos condena a morte, o que na verdade é a morte do eu. Refazer a agenda pós-moderna e negar o tempo para ganhar dinheiro, ficar na Internet, assistir televisão, consumir somente em beneficio próprio e ser escravo do consumo.
O direito sagrado de si mesmo e de não ser incomodado tem que acabar para que nossas obras sejam de amor verdadeiro em nossas ações.

2.4. Amar é sair das trevas. 1.6-7
O amor é luz e nos ajuda a não tropeçarmos uns nos outros, a não derrubarmos uns aos outros, a não nos transformamos em um monte de regras e preceitos vazios para garantir a permaneciam da imagem, mas somente uma imagem sem vida.

2.5. Cegos guiando cegos. 2.9-11
Segundo um escritor que admiro, em um dos seus textos ele fala que o ódio junta as pessoas e o amor liberta. Não podemos amar por obrigação, se assim fizermos não é amor, amamos por escolha, opção e decisão. Por que nos ajuntamos como igreja do Senhor? Qual sentido de estamos juntos e cantarmos hinos sobre o amor? Temos que enxergar isso claramente se não nos tornaremos novamente sensuais, presos aos sentidos de toda imagem, abrimos os olhos para o mundo e continuamos nas trevas do pecado.

2.6. A semelhança para a vida! O conhecimento de Deus. 4.7-8
Deus não é apenas uma matéria fria da Teologia para estudarmos. O conhecimento de Deus se traduz em amor. Quem souber falar/viver de amor, falará de Deus.

2.7. Quem nos ensinara a amar? 4.10-11
Cristo não significa apenas um sobrenome, mas uma condição de vida. Cristo significa aquele que se entregou por nós, o anticristo é não se entregar. O segredo agora é nós nos colocar no lugar do outro, do semelhante, do próximo.
Quem seu próximo agora, ai do lado?
continua...

quinta-feira, maio 14, 2009

Relacionar: A arte de (com) viver - parte 2

1. Independência (ou) é morte!
Gn 1.26

“_Quando vocês escolhem a independência nos relacionamentos tornam-se perigosos uns para os outros”. WILLIAN, P. Young - A Cabana, Pg. 112
“(...) ´O que Jesus faria?` (...) _Boas intenções, má idéia. (...) Ser meu seguidor não significa tentar ´ser como Jesus`, significa matar sua independência”. WILLIAN, P. Young - A Cabana, Pg. 136 e 137
“Há muito tempo, num jardim muito, muito distante. (título de uma cap. do livro A Cabana)” o homem preferiu a independência o que propiciou sua queda. O homem quebrou seu relacionamento íntimo com Deus por que preferiu ser autônomo com a vida. Bom... de lá pra cá todos sabem que proporções essa decisão trouxe para nós humanidade.
Quando aconteceu a queda perdemos a idéia de semelhança e ficamos com a idéia da imagem, perdemos o significado da semelhança e preferimos abraçar a imagem. A semelhança é nosso relacionamento com Deus e com sua realidade.
Fomos criados e materializado em imagem conforme, em forma, pela forma, de modo conforme a semelhança de quem Deus é de fato. Essa é nossa identidade, a semelhança do que Ele é. Essa era e deveria ser sempre nossa vida, a realidade espiritual.
Porém quando Adão e Eva comeram do fruto (Gn 3.2-7) achando melhor ser como Deus seus olhos logo se abriram totalmente para a imagem, e perceberam que estavam nus, perceberam e ficaram cativos a sua imagem, de um mundo de imagem e foram se cobrir com folhas por que tinham vergonha.

Por que tinham vergonha?
Por que já não havia a realidade da semelhança.
Aqui esta o início da nossa crise existencial, nossa crise de identidade, gerado pela serpente, pelo diabo na forma de dúvida e poder. Não queremos ser quem somos, mas sermos deuses, deuses de si mesmo. Para nós, não basta sermos humanos e dependentes, mas viver a realidade da imagem que somos para nós.
Assim surge a sensualidade que esta ligada ou presa aos sentidos. A sensualidade é uma filia (doença) dos sentidos. Ficamos escravos dos sentidos pela perca da semelhança do Pai eterno, não discernimos mais espiritualmente esse mundo, concluímos com nossas paixões e sentimentos.
Na concepção dos sentidos preso à idéia da imagem com os olhos da carne bem abertos passamos a trabalhar e fazer para sustentá-los. Os sentidos falam fortes e alto, precisa se alimentar, é o jogo da morte espiritual, assim faremos para si. Alimentar a sensualidade é alimentar a si mesmo. É preocupar consigo mesmo e com sua aparência. É viver de aparência.
Deixamos de ser pessoas para nos tornar indivíduos, deixamos de ter significado compartilhado para ter um significado individual. Colocamos e falamos o eu na frente de todas as coisas e isso nos faz indivíduos fortes e poderosos, do tipo: eu posso, eu faço, eu sou, eu me relaciono comigo mesmo, e por ai vai. Essa a independência tão sonhada. Cada um agindo por si e para si, alimentando os sentidos presos a sua imagem.

A busca da identidade na independência significa escravidão e morte.
O relacionamento reflete quem nós somos.
continua...

quarta-feira, maio 13, 2009

Relacionar: A arte de (com) viver

Introdução

“Criamos vocês, os humanos, para estarem num relacionamento de igual para igual conosco e para se juntarem ao nosso círculo de amor”. WILLIAN, P. Young - A Cabana, Pg.114.

Viver é relacionar
Relacionar traz vida ou morte por que é ação. Qual o fruto dessa ação?
Agimos constantemente em relacionamento consigo e com o mundo. Dormimos, andamos, falamos, sorrimos e choramos relacionando com emoções e pensamentos da vivência. Escrevo o texto ou falo para poder relacionar minhas idéias com suas idéias e ademais.
O bem é que certamente estamos nesta vida para podermos relacionar, somos frutos do relacionamento de nossos pais e o Pai eterno na fecundação dos corpos e dos sonhos. Assim somos e assim nos formamos nas vivências dos relacionamentos.
Essa é a vida e dela depende o relacionamento.
Concluímos que assim se faz viver todos os ecossistemas, atuando simultaneamente ele traz equilíbrio para os seres, porém quando algum elemento é alterado poder causar modificações em ligamentos trazendo desequilibro. Assim são os relacionamentos da vida, suas ações e conseqüências têm início, meio e fim.

Como você tem vivido?
É muito fácil essa resposta! É só olhar para seus relacionamentos. Eles traduzem e dizem donde provem seus maiores conflitos ou suas maiores alegrias.
Esse é nosso maior desafio e o desafio de todos os tempos, o desafio de saber viver. Quando olhamos firmemente para esse desafio logo veremos a revelação que é a de estar relacionando com Deus e com os outros (família), consigo, com a natureza.
A família é a Gênese da vida onde aprendemos na infância o que significa relacionar. É também na família onde vão surgir as primeiras traduções. Pode ser traumático!A herança dos primeiros passos na arte de andar, pensar, sorrir, chorar, crescer e ser o que o meio relacional pode me dar para assim aprender a ser. Conviver com os pais, irmãos, tios, vizinhos, amigos e brincadeiras.

Viver é estar ligado a Deus, as pessoas e ao mundo que ele criou, nessa relação de corpo, alma e espírito. Estamos ligados como um corpo pelos auxílios de todas as juntas que é o amor.

continua...

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Quem serão os separatistas de hoje?


Os Católicos e Os Protestantes

Pr.Gilberto Stefano

Como dissemos, a história das igrejas erradas difere muito da história das igrejas fiéis. Assim como os fiéis que foram apelidados de "anabatistas" (separatistas), elas também tiveram um apelido. Foram conhecidos por Católicos.




O Catolicismo Original

Em nosso país se conhece apenas o catolicismo romano. No entanto ele não é o único nem o primeiro. O catolicismo primitivo foi uma organização eclesiástica à qual pertenciam várias igrejas. Estas igrejas estavam espalhadas por todo o Império Romano. Após a morte dos apóstolos muitas igrejas sofreram a influência maligna do paganismo. Seus membros, instigados pelos falsos pastores, foram vítimas de ensinamentos errados a respeito da autoridade de Cristo sobre sua igreja e também a respeito de como se chegar até o céu. Tais pastores desviaram grandes igrejas sendo que muitas delas um dia foram grandes baluartes da fé. A própria igreja de Roma é um exemplo. O apóstolo Paulo chegou a escrever uma carta a esta igreja. Porém, devido ao mau uso do púlpito, os falsos pastores desviaram completamente o rebanho. Devido terem aceitado heresias estas igrejas foram excluídas pelas igrejas fiéis em 225.
Igreja Católica significa "Igreja Universal". E apesar deste apelido ter sido usado pela primeira vez em 170 pelo bispo de Cartago, referindo-se a todas as igrejas cristãs, ela não tinha a idealização que tem hoje. Este nome começou a ganhar força a partir de 313 quando as igrejas erradas aceitaram ser servas do imperador. Aí sim ficou decidido que a igreja tinha que ser Universal. Tornou-se tão Universal que quem não pertencesse a ela seria punido com a morte. Este pensamento fez com que estas igrejas enchessem suas fileiras de pessoas não convertidas. Em algumas épocas a conversão chegou a ser nacional e não pessoal. Se o rei do país se tornasse católico ele obrigava todo seu povo a ser católico também. O evangelho a partir de 313 deixou de ser proposto para ser imposto sobre todos os moradores do Império Romano.
O catolicismo original contava com cinco patriarcados (ou igrejas mais importantes). Eram eles: Jerusalém, Roma, Constantinopla, Antioquia e Alexandria. Estas cinco igrejas brigavam entre si para ver qual delas teria a primazia sobre as demais. Esse quadro começou a mudar com o advento do islamismo. A nova religião praticamente destruiu a importância de três patriarcados: Jerusalém, Antioquia e Alexandria. Isso polarizou o catolicismo em duas grandes correntes. A corrente grega reunia sobre sua autoridade as igrejas do Oriente e foram lideradas pela igreja de Constantinopla. Já a corrente latina reunia sobre a sua autoridade as igrejas do Ocidente e foram lideradas pela igreja de Roma. Essas duas igrejas foram rivais até o século IX. Nesse tempo o catolicismo se dividiu.

A Divisão do Catolicismo
No ano de 869 os bispos de Roma e Constantinopla tiveram um grande atrito entre eles. No final da confusão os pastores de Roma e Constantinopla se excomungaram mutuamente. Desde este dia estas duas igrejas se separaram e até hoje existe dois tipos de Catolicismo. O Catolicismo Oriental representado pelas igrejas de rito grego - também chamado de Igreja Ortodoxa Grega; e o Catolicismo Ocidental - representado pelas igrejas de rito latino - também conhecido como Igreja Católica Apostólica Romana.

Algumas Diferenças dos Dois Catolicismos
A infalibilidade papal e a supremacia universal da jurisdição de Roma constituem a diferença essencial, que a igreja ortodoxa não admite, pois ferem a santa Escritura.
A sagrada Escritura e a santa tradição representam o mesmo valor como fonte de revelação, segundo a igreja ortodoxa. A romana no entanto, considera a tradição mais importante que a sagrada Escritura.
A virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida em estado de pecado original. A igreja romana, em 1854, proclamou o dogma de fé: a Imaculada conceição da Virgem Maria.
Os sacerdotes ortodoxos podem optar livremente entre o celibato e o matrimônio.
A Igreja Ortodoxa só admite ícones nos templos e o batismo é por imersão - mas é infantil.
Na Igreja ortodoxa não existem as devoções ao sagrado coração de Jesus, Corpus Christi, Via Crucis, Rosário, Cristo Rei, Imaculada Conceição, Coração de Maria entre outras.
Na igreja ortodoxa o chefe principal é chamado de Patriarca e ele deve-se submeter a sua decisão ao Santo Sínodo Ecumênico, que compõe todos os patriarcas chefes das Igrejas Autônomas.
Na Igreja Romana o chefe principal é chamado de Papa e a ele se submete toda a igreja.
A igreja Ortodoxa segue o ritmo do Catolicismo original compondo-se de diversas igrejas autônomas e nacionais (Ex. Igreja da Rússia, Igreja da Armênia, Igreja Copta). Já a igreja Romana considera-se uma igreja Una, sendo ela mãe e não igual a todas as outras igrejas.

A Igreja Católica Realmente Precisava ser Excluída em 225?
Pode parecer maldade das igrejas fiéis o fato de terem excluídos de sua comunhão as igrejas erradas em 225. Mas os fatos que se sucederam mostraram que as igrejas fiéis realmente tinham razão.
A primeira razão está no espírito que movia as igrejas excluídas. Não era o espírito de Deus. Seus pastores geralmente eram homens cruéis e sanguinários. Os papas foram os maiores perseguidores das igrejas fiéis que o mundo conheceu. Por mais de 1300 anos perseguiram e mataram cruelmente os Membros das igrejas fiéis. Com a introdução do batismo infantil seus membros acabaram todos sendo cristãos sem precisarem se converter de seus pecados.
Na questão doutrinária os erros aumentam ainda mais. Os dois primeiros erros - formação da hierarquia e salvação pelo batismo - logo foram seguidos por muitos outros. Para que os bárbaros, acostumados com os cultos às imagens, pudessem realmente serem atendidos pela igreja Católica, muitos lideres eclesiásticos entenderam ser necessário materializar a liturgia. Surgiu a idolatria. A veneração de anjos, santos, relíquia, imagens e estátuas foi uma conseqüência lógica deste procedimento. Os pagãos, acostumados à veneração de seus heróis, quando vinham para a igreja católica, pareceu-lhes natural substituir os seus heróis pelos santos e lhes dar um status de semi-divindade. Não tardou e em 590 já veneravam até relíquias, cadáveres, dentes, cabelos ou ossos dos considerados "santos". Ações de graças ou procissões de penitência tornaram-se parte do culto a partir de 313. A oficialização do batismo infantil foi feita a partir de 370. Em 471 foi promulgado o dogma de que Maria é mãe de Deus. Assim, por volta de 590 se desenvolveu rapidamente sua veneração. A doutrina da Imaculada Conceição só apareceu em 1854, e de sua miraculosa assunção em 1950.
A cada ano que passa estas igrejas tornam-se cada vez mais longe das Escrituras. Apesar de existir muita gente boa em suas fileiras é impossível alguém que cumpra certo suas doutrinas chegar ao céu. Não se pode servir a dois senhores.


A ORIGEM DAS IGREJAS PROTESTANTES


No século XVI, por volta de 1500, a igreja Católica Romana passou por uma crise interna que resultou na dissidência de quase metade de seus fiéis. Essa dissidência foi chamada de "Reforma Protestante". Foi dessa reforma que surgiram as Igrejas Luterana, Presbiteriana, Anglicana e a Reformada da Holanda. Todas essas igrejas foram reformadas por padres ou com a ajuda de padres. Os mesmos já não agüentavam tanta heresia e opressão que vinha do Catolicismo Romano. Certos absurdos como Mario-latria, purgatório, adoração de santos e imagens e as indulgências, eram erros tão graves, que mesmo um católico bem informado não pode suportar.

A ORIGEM DA IGREJA LUTERANA


A primeira igreja protestante a surgir foi a Igreja Luterana. Esta igreja leva o nome e as características de seu fundador, Martinho Lutero. Lutero era um homem muito inteligente, porém agressivo. Não concordava com a venda de indulgências e outras heresias da igreja de Roma. Contudo nunca quis abandoná-la. Sua vontade era reformá-la.
Em 1512 Lutero começou a pregar contra a salvação pelas obras. Fez muitas conferências confirmando que o justo iria viver da fé. E nisso ele tinha razão. Em vários sermões ele condenou a prática da venda da indulgência. Em 31 de Outubro de 1517 ouviram-se fortes marteladas na porta da Igreja de Wittenberg. Era Lutero condenando o Papa Leão X e seus legados numa bula de 95 teses. Entre estas teses, algumas eram especialmente desafiadoras:
"Os pregadores de indulgências erram quando declaram que o perdão do Papa livra o pecador da penitência e assegura-lhe perdão.”
"Os que se julgam seguros da salvação pelas cartas do Papa, serão amaldiçoados eternamente, e na companhia de seus mestres.”
"Por que o Papa não esvazia o purgatório pelo amor?"
Devido a essa bula Lutero foi excomungado pelo Papa em 1519.Mas,apoiado pelos imperadores regionais e pelo povo de muitas cidades alemãs, Lutero levou a afinco suas idéias. Ao meio de muita confusão e guerras ele conseguiu reformar a igreja católica na Alemanha em 1521. Essa igreja foi chamada de Luterana.
Seus seguidores foram chamados de luteranos. Na Alemanha e em alguns outros países do norte europeu ela se tornou a religião oficial do pais. A maioria das igrejas católicas que existiam nesses paises - contanto os fiéis, prédios e padres - simplesmente se tornaram luteranos. Geralmente as freiras se casaram com ex-padres. O termo missa foi conservado. As formas liturgias de dirigir a missa quase não mudou. O batismo infantil era uma lei que devia ser cumprida. A hierarquia continuava a mesma, sendo o primeiro chefe da igreja Luterana o próprio Lutero.
A igreja luterana matou e perseguiu os batistas na Alemanha e em todos os países que ela se tornou a igreja oficial do país. No ano de 1525 Lutero ordenou a morte de mais de cem mil anabatistas no sul da Alemanha. Seu ódio aos batistas estava fundamentado no fato que estes, por obedecerem a Bíblia, nunca o aceitaram como um servo de Deus.

A ORIGEM DA IGREJA ANGLICANA


Em 1531, o rei da Inglaterra, Henrique VIII, queria se divorciar de sua esposa para se casar com outra mulher. O Papa não autorizou o feito. Essa recusa aborreceu o rei, e então ele, que chegou a ser inimigo da reforma proclamada de Lutero, reformou a Igreja Católica na Inglaterra. Essa nova Igreja foi chamada de Anglicana (ou Episcopal). No princípio a única coisa que diferia da Igreja Católica era o fato de não ter papa. Depois, com o passar do tempo, os anglicanos adotaram muitos princípios de Calvino.
Assim como os luteranos e os presbiterianos, a igreja anglicana usa o erro do batismo infantil. Também possui uma hierarquia quase igual a do catolicismo. Devido às conquistas da Inglaterra sobre muitos países, essa igreja foi muito favorecida. Está representada em quase todos os países do mundo e é muito forte onde a Inglaterra mantém o seu controle. A igreja Anglicana tem muitas filhas. A mais conhecida em nosso país é a Igreja Metodista.
A Igreja Anglicana tornou-se tão intolerante para com os batistas como foi o catolicismo. No Pais de Gales havia um grande número de batistas e por causa da perseguição quase todos tiveram que fugir para a América. A perseguição dos anglicanos aos batistas durou até o ano de 1688. Grandes pastores como Tomas Hellys e John Bunyan fizeram história devido à perseguição que o anglicanismo lhes moveu.

A ORIGEM DA IGREJA PRESBITERIANA


A Igreja Presbiteriana foi fundado por João Calvino. Ele foi um grande teólogo no sentido teórico, porém, um péssimo executor no sentido prático. Assim como Lutero, ele buscava uma reforma dentro da igreja Católica. Não conseguindo, acabou se rebelando, e, em 1541, formou uma igreja na cidade de Genebra, Suíça. Essa igreja no princípio não tinha um nome definido, mas João Knox, um grande seguidor das idéias de Calvino, chamou-a de PRESBITERIANA.
Nesta cidade Genebra, Calvino impôs as suas ordenanças eclesiásticas. Eram leis extremamente rígidas e severas. Ali o evangelho não era pregado mas ordenado aos cidadãos. Proibiu as diversões, as festas, os enfeites e as críticas ao seu governo. Aqueles que eram considerados infratores recebiam duros castigos, inclusive a morte na fogueira. Agindo dessa forma ele queimou feiticeiros, humanistas e batistas. Sua cidade era tão santa que na hora de casar ele não quis uma membro de sua igreja. Casou-se com a viúva de um pastor anabatista.
Como foi dito, sua teologia era apenas teórica. Calvino teve verdadeiro ódio pelos batistas, pois os mesmos não aceitarem sua igreja como sendo uma igreja biblicamente correta. Os batistas viam na igreja Presbiteriana alguns erros que não podiam ser deixados de lado. O primeiro era o batismo infantil. O Segundo consistia dela ter se tornado uma religião do Estado. O terceiro foi a formação de uma hierarquia esquematizada em presbitérios.
A Igreja Presbiteriana é a religião Oficial da Escócia e está bem organizada em muitos países do mundo inteiro. Hoje ela divide-se principalmente em Igrejas Nacionais (Ex: Presbiterianas do Brasil), as Independentes, e as Renovadas.

A ORIGEM DA IGREJA METODISTA


Muito próximo do século XVIII nasceram três meninos na Inglaterra. Eram eles: John Wesley, Carlos Wesley e George Whitefield. Estes três se tornaram pais e fundadores de um movimento que mais tarde foi conhecido como metodismo.
John Wesley se tornou pastor anglicano em 1728.Apesar disso só aceitou Jesus em 1738, ou seja, dez anos após a sua ordenação. Em 1739 ele foi ser capelão nos EUA. Na viagem de navio, como uma tempestade lhes sobreveio, teve medo de morrer. Acabou notando que tinha no navio um grupo de pessoas que não temiam a morte. Esse grupo cantava e orava alegremente no momento da tempestade. Essas pessoas eram os Irmãos Morávios (os mesmos que receberam a influência dos paulicianos no sé-culo XII). John aprendeu muito com esse grupo e, provavelmente, foi por eles batizado.
Neste mesmo ano John encontrou-se com George Whitefield. George convidou-o para participar de uma pregação ao ar livre. Carlos também se juntou ao grupo. Assim os três iniciaram um reavivamento na igreja Anglicana. John Wesley nunca rompeu com a igreja da Inglaterra. Ele não queria formar uma nova religião. Contra sua vontade, no ano de 1784, formou-se a Igreja Metodista na cidade de Baltimore nos EUA.
Os metodistas nunca perseguiram os batistas. Na verdade o seu começo está ligado a pessoas que realmente tiveram uma transformação em suas vidas. O erro desta igreja é que conservaram o sistema Episcopal da Igreja Anglicana e o costume de batizar crianças.

Obs. De Joaquim Tiago.: Os anabatistas eram separatistas, defendiam a idéia da separação entre igreja e estado, defendiam a idéia de igrejas independentes e sem hierarquias eclesiásticas, havia centralização bíblica e eram da ala da reforma radical. As outras igrejas e reformadores fizeram essa relação e acreditava numa “pátria pura e santa”. Por isso os separatistas foram duramente perseguidos. Hoje não são tão mais separatistas como antes, eram de certa forma undergrounds, a margem e perceberam o que o estado causou a igreja por cusa do poder. Quem serão os separatistas de hoje?

Pr. Gilberto Stefano Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida Corrigida Fiel, da SBTB). As ACF e ARC (ARC idealmente até 1894, no máximo até a edição IBB-1948, não a SBB-1995) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus). (retorne a http://solascriptura-tt.org/ IgrejasNosSeculos/ retorne a http:// solascriptura-tt.org/ )



quarta-feira, novembro 12, 2008

Por uma questão sócio-ambiental

E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.(Lc 16.8)

Essa é uma questão para cristão ficar se envolvendo?
Trágico se não fosse cômico esta diante dessa questão inicial para podermos depois pensar na outra que é séria. Essa é então mais uma das questões que teremos de resolver em nós.
Não é da prática cristã e principalmente em nossa região envolver-se com assuntos tão "complicados". Geralmente o que mais nos preocupa é ir embora morar no céu ou mesmo a tão valiosa maneira de ganhar a vida através de uma barganha com Deus. Apegado aos meios e fica-se somente nos meios porque já não preocupamos tanto com o fim de tudo, ou como dizem: "Os fins justificam os meios". Que fim?
Queremos nos salvar daquilo que sempre nos aflige, o medo e a ganância, que é o medo de ficar "pobre". E ainda temos toda uma agenda e programação para cultuarmos. A agenda vem carregada com ideal de termos o maior número de pessoas possíveis ajuntadas. Com tudo isso e mais um pouco de vida "pessoal" não temos tempo para pensar o que vai ser do mundo e da nossa cidade se continuarmos da mesma forma: poluindo e sendo consumidores de poluentes. No mais saímos com aquela: "Isso é responsabilidade das ‘autoridades’ dos ‘governantes’, dos ambientalistas" e um monte de outras desculpas.
Porém, se nos considerarmos cristãos de fato, de ação, essa é uma questão e responsabilidade nossa! Sim, e não podemos fugir fazendo de conta que somos de outro planeta, de outro mundo.
O que é um cristão? Um cristo menor, seguidor de Jesus Cristo e mordomo dessa terra .
Jesus Cristo nosso mestre quando veio disse: "(...) eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." (João 10 : 10). O que é ter abundância de vida, ou vida plena? É ter uma vida completa, ou completada as necessidades do homem todo. O medo e a ganância nos afastam um dos outros e alimenta o egoísmo, o egoísmo nos faz incompleto e incompleta o mundo! Isso é tudo que um cristão de fato e ação não é e nem pode ser.
Hoje a natureza sofre e muito por que aprendemos a explorar para uns poucos sem pensar nos outros, no próximo ou no futuro dos nossos pequeninos. Consumimos desenfreadamente fazendo o mercado produzir e explorar. Não nos completamos e comungamos como cristãos em corpo por pensarmos somente em nossa satisfação pessoal. Não reciclamos, não poupamos e fazendo assim o pão já não é nosso e sim de alguns.
A terra esta mal dividida e milhares já não tem onde plantar, alguns já não tem a mais água para beber, alguns já não tem mais ar para respirar. O progresso destrói e no fim quem vai ter barcos salva vidas quando tudo afundar?
Secas, selvas transformadas em pastagens, rios transformados em esgotos, desnutrição, pestes como a dengue, e nossa resposta diante de toda essas tragédia não pode ser cada um que se cuide. Jesus Cristo não ensinou assim!
Por isso nada mais viável do que pensarmos a questão sócio-ambiental, ela faz parte de nossa ação como responsáveis cuidadores dessa terra, é parte integral da nossa vida cristã. Não pretendemos cuidar de um mundo que se traduz em um sistema de mentiras, corrupção e morte. Estamos sim pretendendo cuidar do que o Pai nos deu, a terra e sua natureza formosa, essa que supre e nos da o pão nosso de cada dia.
Cuidar da terra é ser adorador, é ser mordomo e aprender a servir. Saber que existe um ciclo sagrado da semente que cai e morre para poder nascer novamente e se multiplicar levando vida a muito mais pessoas. O ciclo é completo pela água, pelo ar, pela terra, por aquele que plantou e colheu. A colheita vai ser sempre uma festa onde podemos repartir e dividir na mesa da ceia, na mesa da vizinhança, na mesa onde o suco da uva se mistura a massa do pão, do corpo presente onde há realmente vida. Assim somos todos transformados em alegria e amor. Nesse meio não existe preguiça, comodismo, medo, soberba e egoísmo, tudo é combatido com a fé.
Você também foi chamado para ser parte desse corpo, da grande comissão. Comece a se questionar, qual é o papel desenvolvido pôr você que se considera cristão diante do quadro sócio-ambiental da sua casa, vizinhança, cidade e planeta. Podemos pensar alternativas e mesmo em nosso pequeno meio sermos mais coletivos e menos individuais, combatermos esse egoísmo, esse medo e essa ganância. Sermos mais pró vida e menos pró morte da vida. Amém!

Joaquim Tiago – Bill

terça-feira, setembro 23, 2008

VISÃO DA IGREJA EM JESUS

Ekklésia
O original do termo igreja, em grego, é EKKLÉSIA. No grego clássico, este termo significa assembléia dos cidadãos de uma cidade, com objetivos legislativos ou deliberativos. Antes não havia no termo, cunho religioso. Logo depois, com o avanço das sinagogas em outras terras, como na Grécia, no meio dos gentios o termo foi adotado para designar a assembléia religiosa local dos hebreus, que viviam fora de Jerusalém. Antes da igreja cristã ou assembléia dos cristãos, falava-se da Eclésia de Jerusalém. Muitos gentios, nesse período, foram admitidos nessas reuniões ou assembléias, onde causaram polêmica por causa dos preceitos da lei.

Igreja Apostólica
Logo após a morte e ressurreição de Jesus, ele deixa uma missão junto aos apóstolos e a todos. Jesus dá uma ordem, principalmente a eles, para esperarem em Jerusalém, até que do alto fossem revestidos de poder e a partir daí fossem testemunhas pregando o evangelho ou as boas novas do Reino. Discípulos de Jesus, eles foram testemunhas vivas da morte e ressurreição. Os sinais os acompanhariam. Nos atos dos apóstolos, vimos que muitas pessoas foram se convertendo, aumentando o número de salvos a cada dia, e eles tinham tudo em comum. Saulo, grande perseguidor dos cristãos, converte-se, vai trabalhar com os gentios e sempre ia às sinagogas discutir com os judeus. Assim, de uma forma bem resumida, surge a assembléia dos cristãos. Surge a igreja de Cristo em Roma, Corintios, as 7 igrejas da Ásia e depois outras, em outros lugares.
Jesus começa sua igreja com seus discípulos e a eles revela os mistérios. O objetivo era propagar o Reino de Deus. Ele não modela qualquer organização ou plano de governo para essa sociedade. “Jesus criou a igreja, mas nele não há modelo de organização para a igreja, somente a ordem para se fazer discípulos, batizar e ceiar.

ONTEM E HOJE
Durante a história, esta assembléia foi ganhando nomes, credos, formas, tradições, liturgias. A igreja, no primeiro século, foi duramente perseguida por Nero, porém mais tarde, se tornou religião oficial do Império Romano, no período de Constantino. De perseguida veio a ser perseguidora, aliou-se ao poder. A igreja foi palco de várias questões, detentora do saber e veio a se dividir várias vezes com várias raízes teológicas. A igreja fez Missões para evangelismo e serviu ao expansionismo burguês europeu durante as Grandes Navegações.
Portanto, a igreja deixou de ser de Cristo para ser de homens poderosos. Passou a ser organização política e a serviço do mal e da opressão em suas cruzadas por vários lugares da terra. Porém, em meio a tudo isso, ou em toda essa história, o Corpo de Cristo e o seu Reino chegaram até nós, aos nossos corações, graças a homens e mulheres anônimos, que mesmo fora da assembléias oficiais, foram pessoas espirituais, com a verdadeira visão do Reino de Cristo. Estes acontecimentos estão relatados em livros de história.


A UNIDADE DO ESPÍRITO
Efésios 4.1.ROGO-VOS, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,2.Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,3.Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.4.Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;5.Um só SENHOR, uma só fé, um só batismo;6.Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.7.Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.

O Corpo só existe se houver unidade! Quem nos uniu para sermos um corpo? Quem nos uniu para sermos de fato igreja? O Espírito! Como reunir povos, tribos e pessoas de culturas diferentes em só corpo? A igreja é espiritual quando há a união de pessoas espirituais!
Com tanta pluralidade cultural dentro das tribos, urbanas ou selvagens, sempre irá existir divergência de idéias. Desde o século I, a igreja vem sofrendo com essas questões entre gentios e judeus e demais situações relatadas nas cartas de Paulo. Não é a sabedoria humana que vai criar unidade para corrigir essas diferenças, nem uma uniformização exterior pode trazer uma unidade verdadeira. Somente o Espírito Santo é capaz e sem ele é impossível.
As pessoas espirituais irão optar por uma vivência espiritual para sempre manter a unidade pelo vínculo da paz.
Existe uma “unidade básica” e os cristãos, através da exortação de Paulo, não estão sendo motivados a criar esta unidade, mas conservar a que já existe. Se existe corpo, igreja, comunidade, tudo é fruto de unidade. Temos agora que preservá-la, mantê-la. Depois de criado a unidade pelo Espírito, é responsabilidade total dos cristãos preservá-la.
Que unidade é essa? Há um só corpo! Um só Espírito! Um só Senhor!
A igreja não é apenas uma instituição que concorda com idéias, em sua maioria, dando forma assim, a um ajuntamento de pessoas. A igreja é um organismo vivo em uma unidade corporal onde Cristo é o cabeça. Não estamos criando nada referente a igreja, ela já existe e tem dono! Tudo no corpo compartilha a mesma vida. “Uma organização deriva seu poder da associação de indivíduos, mas um corpo deriva seu poder compartilhando vida.” STEDMAN, pg 30.
Jesus é a pedra angular e sobre ele é que estamos fundamentados. A igreja do Novo Testamento é obra do Espírito Santo, Jesus falou que iria, mas deixaria o Consolador para nos auxiliar em tudo, para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. A igreja tem que depender do Espírito de Deus, a obra é Dele.
A igreja representa a noiva sendo agora preparada pelo amigo do Noivo: O Espírito Santo! Um dia o Espírito e a noiva irão dizer, vem, pode vir resgatar sua noiva, ela esta pronta, Aleluias!
Quando Paulo escreve aos Corintios, diz: “ninguém pode dizer Jesus é o Senhor, a não ser pelo Espírito Santo.”
Entendendo tudo como pessoas agora espirituais, discernindo bem todas elas, chegamos à conclusão de que não estamos criando nada, por que já existe, devemos é manter, procurar conservar o que no original grego é: disposição da vontade e atividade, não apenas de forma exterior, mas no interior. Nós nos reunimos para nos entender mutuamente, perdoar, orar uns pelos outros. Temos que evidenciar a unidade através da graça. Paulo fala também aos Corintios sobre a reunião por ocasião da ceia, o fato é que quando eles se reuniam e não havia verdadeira união, isso é desagradável, ele até entendia o porque, mas isso levava o povo a comer e beber da ceia de forma indigna, eles não discerniam o próprio corpo e por isso havia muitos fracos e doentes no meio deles.
Entendendo tudo com maior profundidade espiritual, saberemos que não somos apenas uma organização institucional. Através de uma unidade espiritual, podemos promover o bem comum e nesse comum alcançarmos uma instituição melhor, uma comunidade sincera. Como eu já disse: o corpo pode administrar bem uma instituição, mas a instituição não fará um corpo. Amos 3.3. A igreja tem que permanecer fiel à sua vocação!
Com isso, Deus, através do Espírito, capacita a igreja com dons e formará aqueles que têm o trabalho de edificar o mesmo. A edificação do corpo é feita pelos dons ministeriais citados em Ef. 4.11. Tudo é para que todos cheguem a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, para que cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo: Sermos como Ele é!

Pergunta:
1. Nossas decisões (agora) são fruto de unidade?
2. Estamos decidindo com o fim de manter a unidade ou para nos dividir ainda mais?
3. Estamos (aqui) unidos em qual propósito?
4. O motivo do Grito existir como igreja em Cristo é para servir a Deus - amando e servindo as pessoas - ou ele existe para servir a um grupo de interesses?
5. Qual é a melhor forma de fazermos o trabalho sem nos dividir?

Joaquim Tiago, Bill

segunda-feira, julho 21, 2008

O dono do corpo. O cabeça da igreja!


A igreja tem dono? Isso depende! Dependerá sempre de quem há governa.

Desde os tempos remotos e antiguidade existe várias formas de ritos e cultos. Desde que o homem é homem, desde que o homem sabe que sabe, sempre ouve nele a necessidade do que é superior, superior a ele, uma divindade, a busca fora da esfera física, um deus, nem que seja desconhecido.

Olhando para civilizações orientais e suas formas culturais de culto, hoje tão difundidas. Difundidas como uma prática espiritual e ao mesmo tempo esotérica que vai casando com a moda e o consumismo, não levamos em consideração o tempo milenar e a história destes povos. As pessoas ainda continuam procurando respostas. Segundo a enciclopédia Mistério do Desconhecido: “Até a era moderna, nosso conhecimento em relação a muitas partes do Oriente restringia a pouco mais do que rumores (...). Foi somente em 1842 que por força das armas européias obrigou a China a abrir cinco dos seus portos a mercadores ocidentais, mas a maior parte do Tibet permaneceu como uma terra praticamente incógnita, até que uma expedição inglesa chegasse lá, em 1904”.[1]

A religião para os povos antigos é muito mais do que uma forma de culto, não é apenas um rito local, mas culto é a própria cultura, rito são atos também sociais. Sabemos que nas culturas milenares a religião predominante influenciava toda a comunidade desde a política, colheitas e a vida social giravam em torno da religião como visão de mundo. Para o antropólogo Ronaldo Lidório – “Uma cuidadosa observação dos grupos animista e suas sociedades ao redor do mundo mostrará que a religião é a raiz de toda cultura e é o princípio determinante da vida (...) religião é vida e vida é religião (...). O evangelho é proposta respondendo indagações culturais em seu nível mais profundo”.[2]

Através dos tempos antigos e atuais os rituais eram feitos em templos, ou lugares sagrados, lugares muitas vezes inabitados ou lugares poucos freqüentados com seus altares feitos para o sacrifício. Os fiéis viam ao templo e ficavam no pátio, onde era a assembléia, o templo verdadeiramente era pequeno.

O templo era um fator de influência forte na vida da cidade, as cidades ficavam geralmente em volta do templo, o deus era o rei da cidade. Antes de Davi a arca era itinerante e o templo era em tenda. Davi tem em seu coração construir o templo e manda buscar a arca. Seu filho Salomão é quem constrói e consagra. O templo estava ligado ao palácio e era nesse período também um centro financeiro. Tudo foi acontecendo e está relatado nas escrituras até o surgimento do cristianismo, ou a “igreja” de Cristo.

O que é a igreja?

O termo usado naqueles dias do século I foi EKKLÉSIA, que no grego clássico, significa a assembléia dos cidadãos de uma cidade com objetivos legislativos ou deliberativos. Quando se falava em EKKLÉSIA sabia-se que os cidadãos com direito de voz estavam reunidos em assembléia para alguma coisa. Esse termo não tinha nenhum cunho religioso. Esse termo depois foi adotado para indicar a assembléia religiosa local dos hebreus que vivam fora de Jerusalém, com tradução em hebraico de Kahal, que juntamente com outro termo – ‘edah – significa no hebraico tardio, a assembléia religiosa dos israelitas.

Antes da igreja cristã ou assembléia dos cristãos, falava-se da Eclésia de Jerusalém que se reunia nos seus templos, essa é a igreja mãe em Jerusalém onde os Apóstolos estavam. Os gentios vieram depois, admitidos nessas reuniões. No início causaram polêmica por causa dos preceitos da lei. Esse termo aparece 23 vezes em Atos dos Apóstolos. Surge depois à igreja forte de Antioquia, e outras vão surgindo em outras cidades.

Depois de Jerusalém cada igreja passou a ser considerada como EKKLÉSIA. As outras igrejas são fundadas sobre o trabalho dos apóstolos e eles mesmos supervisionaram, a igreja de Jerusalém da o suporte, principalmente definindo questões polêmicas como a dos gentios.

O que a igreja em Cristo?

Paulo, inspiradíssimo pelo Espírito Santo nos diz muito sobre essa questão relatado na primeira carta aos Coríntios, no cap. 12. O relato usa de um exemplo simples e ao mesmo tempo profundo, Paulo nos diz que existe um corpo, o corpo de Cristo e cada um de nós faz parte desse corpo.

Então, a luz desse texto o que é correto falar em relação ao corpo? A igreja pode ter vários nome e formatos, mas a igreja de Cristo tem uma unidade, embora com muitos membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo (1Co 12.12).

Quem comanda a igreja em determinadas situações pode ser o homem, mas quem comanda o corpo só pode ser a cabeça, ou o cabeça (1Co 11.3).

Os membros não dizem o que querem ser no corpo, mas recebe todo comando do sistema nervoso, da cabeça que é Cristo. Por que dele, por ele e para ele são todas as coisas.

Agora nós somos templo do Senhor, templo não de pedras, mas humanos. Através do sacrifício de Jesus que o coloca como sumo sacerdote e nós como sacerdote desse templo terreno (Hb 8).

Nesta assembléia que é o corpo de Cristo, ele estabeleceu primeiramente Apóstolos, depois profetas, em terceiro mestres, e ai os que realizam milagres.

O cabeça de todo homem é Cristo (1Co 11.3).

Se formos parte desse corpo que tem Cristo como cabeça, como estamos reagindo as suas ordens, ao seu comando?

Talvez seguimos algo tentando encontrar Deus, como os antigos, dentro dessa cultura secular, mas não buscamos a conhecer Jesus. Do que adianta seguir ou estar numa igreja e não fazer parte do seu corpo? Para fazer parte do corpo de Cristo temos que tê-lo como nosso mestre, nosso cabeça.

Você conhece a Jesus? Como você relaciona com ele?

Como é a voz do Espírito Santo em seu coração?

Jesus é o dono da verdadeira igreja!

em Cristo;

Joaquim Tiago, Bill



[1] Mist. Desconhecido, Mist. Orientais – Ed. Abril/Time Life, pg. 94

[2] Ronaldo Lidório, Revista Capacitando – APMB, 2001 – pg. 25, 26

quarta-feira, dezembro 19, 2007

DESESPERO

“(...) a angustia do nada espiritual reconhe-se precisamente pela segurança vazia do espírito. O próprio desespero é uma negação e a ignorância do desespero é outra.”

“Imagine-se um eu (e nada é, depois de Deus, tão eterno como o eu) e que esse eu se ponha a pensar na maneira de se transforma num outro (...).”

KIERKEGAARD, Sorem.
O desespero humano (doença até a morte);
pags. 217 e 223. Ed. Nova Cultura.